Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A diversão e TRETAS afins (“estudo” de comportamento)

Nota de abertura:

Aviso já que esta Treta é longa, portanto, quem quiser desistir, desista já ou, se quiser, salte as “estatísticas”, para ler as conclusões.

Bolas!... bem que podia ter feito um índice!...

 

Introdução:

Durante o defeso cá do rapaz, deu-me para ir observando a forma como a “juventude” passa o tempo em grupo e como se diverte.

 

Como não sou de me levantar cedo, a minha amostra restringe-se a três períodos do dia: Tarde, Serão e Noite. Limitei também a observação ao escalão etário dos 12 até aos 18 anos, divididos em 3 grupos (dos 12 aos 14, dos 14 aos 16 e acima dos 16 anos), para uma população entre os 5 e os 10%, no máximo, dos miúdos que por lá andavam. (Nota: A Vila é pequena e a malta junta-se toda no mesmo sítio). As duas semanas de férias, foram divididas em três períodos (os primeiros 2 dias, os 7 dias do meio e os últimos 5 dias).

Depois de apresentada a “ficha técnica do estudo”, passo a relatar.

 

Relato:

Tarde:

 

A chegada à praia:

Durante os primeiros dois dias, conseguia começar a recolher amostras a partir das 2h da tarde. (Eu saio de casa entre o meio-dia e o meio-dia e meio). A partir dessa hora, começavam a chegar os grupinhos dos mais novos, dos 12 aos 14 anos. Uma hora depois chegava o escalão dos 14 aos 16 e outra hora depois o escalão a partir dos 16 anos.

 

Não sabendo eu se era da luminosidade, registei no entanto a chegada dos dois últimos grupos com olheiras e olhos inchados!...

 

Com o decorrer dos dias, os grupos iam atrasando a chegada, ao ponto de, ao fim das duas semanas, o último grupo não aparecer na praia.

O grupo dos mais novos não chegava mais tarde que as 4h e, pelo estado de ansiedade apresentado quando olhavam para os sacos da comida, só podiam estar a começar a ter o estômago colado às costas.

 

A permanência na praia:

Os mais novos, nos primeiros dias conversavam e jogavam, no período intermédio das férias jogavam muito futebol e com raquetes e, nos últimos dias, tentam jogar e tentam namorar. Lá aparecem uns espigadotes, a tentar enrolar-se com umas miúdas, mas sempre com “um olho no burro e outro no cigano”, não aparecesse um “tio” ou “tia” e ficasse horrorizado com o “incesto”.

 

O Grupo do meio, com aquela voz de cana rachada, começou cheio de entusiasmo e saudade, tentando gritar pelo nome do “primo”, sempre com uma laracha pelo meio, perguntando pelos “primos” ausentes e tentando combinar o programa nocturno.

No segundo período das férias, chegando uma hora mais tarde que no período anterior, estendiam-se languidamente nas toalhas, jogavam um pouco de raquetes, e davam meia dúzia de mergulhos, alguns estridentes, capaz de molhar quem passeava pelo paredão.

No terceiro período, chegavam de toalha ao ombro, deitavam-se ao pé de uma “lasca” qualquer, e por ali ficavam a ronronar até ao pôr-do-sol.

 

O Grupo dos mais velhos, já empertigados pela importância de um secundário completado ou pelo sucesso de mais um ano universitário concluído, tinha uma frescura na voz, capaz de qualquer apresentação radiofónica.

Reviver os amigos foi sempre o lema dos dois primeiros dias, através de grandes conversas, entusiastas e alegres.

No período intermédio das férias, mais esmorecidos provavelmente pelo calor que se fazia sentir, apareciam de toalha ao ombro, deitavam-se ao lado dos amigos e amigas, jogavam uma cartada e, quando a “temperatura” subia, lá davam um mergulho para refrescar as ideias.

No terceiro período da quinzena, apenas registei o aparecimento de 5% da amostra analisada, completamente despenteados e com os olhos negros e inchados, originados pela luta titânica com a almofada.

 

Serão:

 

Também durante os primeiros dois dias, todos os escalões etários chegavam logo a seguir ao jantar, 10h da noite, cheios de saudades dos amigos que não reviam desde o final das aulas (pelas gravações das conversas andam quase todos nos mesmos colégios). Quando isso não acontece, as instituições promovem encontros de confraternização.

 

O grupo dos mais novos refugiando-se no “Salão de Jogos” a jogar nas máquinas, snooker e gritando “conversas” para o grupo.

 

O escalão do meio, conversando no meio da rua, tapava todas as passagens possíveis para uma mesa vaga nos cafés, deslocava-se após os primeiros “beijinhos”, para um café na outra ponta da marginal,

 

Os mais velhos, de copo na mão iam relatando os “feitos” do ano. A partir da meia-noite, deslizavam para o café adoptado pelo grupo do meio.

 

Nos últimos dias das férias, os mais velhos só apareciam para o período de análise da Noite.

 

 

Noite:

 

(Vou abreviar)

 

Todos bebedíssimos!...

 

Pelas atitude que tinham apresentavam-se, Parvinhos os mais novos, Parvos os do meio e Parvalhões os mais velhos!...

 

Como é que os mais novos estavam naquele estado, não sei, porque é suposto não se vender álcool a menores. Mas que estavam, estavam!...

Os do meio, a mesma coisa, com a particularidade de se meterem com todas as saias que passavam e com todos os miúdos mais novos que encontravam.

Os mais velhos, podendo beber a cerveja a metro na montra das cervejarias, acabavam a meter-se com todas as pessoas. Este escalão, com acesso a carro, acabava por se socorrer do bar do carro, de onde iam saindo garrafas de whisky, subtraídas de algum lado, mas bebidas com a sofreguidão de quem tem receio que o pai chegue e veja o que não deve.

 

Os mais novos, depois da padaria onde compravam uns pães com chouriço para ensopar, acabavam em casa lá para as 3h da manhã.

Os do meio, numa discoteca da zona, até às 6h.

Os mais velhos, até às 6h a levar com os do meio em cima e depois das 7h, na cidade mais próxima, onde há uma discoteca que começa a essa hora e termina ao meio-dia, com direito a sopa de permeio, conhecida pelo “after-hours”.

 

Fim de relatório.

 

Conclusão:

 

Não consegui perceber quais as leituras preferidas, excepto de um jovem que diariamente comprava o jornal “A Bola”, tal era a quantidade de livros que se espalhavam pelo areal.

Não consegui perceber se havia algum Nadal em potência ou Cristiano Ronaldo a germinar, tal era a fraca actividade desportiva praticada.

Não consegui perceber quem andava com quem, tal era a constância de parceiros.

Não consegui perceber quem bebia o quê, tal era a variedade de marcas de vasilhames espalhados pelo chão.

 

Consegui perceber uma coisa:

 

O pessoal divertiu-se todo à brava!...

 

Não sou nenhum santinho. Também apanhei as minhas “bezanas”, mas não as apanhava por apanhar. Não bebíamos para embebedar. Fazíamos petiscadas, onde conversávamos e acabávamos por beber mais que a conta, é verdade, mas só para acompanhar a comida!

 

Vínhamos para a rua mas não nos metíamos com ninguém, a não ser connosco próprios. Quem passava por nós acabava a rir à gargalhada, pelas tropelias que fazíamos e por aquilo que dizíamos.

Íamos para a discoteca, mesmo bem bebidos, mas conscientes do que fazíamos.

Quem conduzia nesse dia, abstinha-se de beber e isso era regra sagrada. E se o condutor bebesse, ficávamos todos no local. Em Nisa, uma vez, cheguei a ir buscar um fulano a quem dei boleia, a um galinheiro. Tinha adormecido por lá, enquanto esperava que eu, o condutor de serviço, estivesse em condições para podermos regressar a casa. E queria o gajo levar o meu carro porque se dizia bem!...

 

As patuscadas eram sempre em casa de alguém do grupo. No fim deixávamos tudo limpinho!... Bem que custava, porque muitas vezes, os copos quando os limpávamos, parecia que tinham molas e queriam saltar das mãos.

Algumas vezes guardámos a rodilha da loiça, toda molhada na gaveta dos panos limpos. Azar, lá tínhamos de ouvir uma mãe ou uma avó no dia seguinte!...

Subtraímos muitas garrafas aos nossos pais, mas havia um lema, não estragar. Como tal, não havia espaço para beber demais, pois o que saísse pela boca, era desperdício.

 

Nós líamos!.. nem que fosse o Tio Patinhas, mas havia sempre um livro connosco, onde quer que estivéssemos.

 

Não me quero armar em moralista, mas sendo eu um tipo de meia-idade, acho que o modo de diversão e o respeito, mudaram muito, nos vinte anos que passaram desde o meu tempo.

Como já referi noutra ocasião, tenho duas filhas, e espero que na minha ausência, se divirtam a valer, mas não façam as figuras desagradáveis como as registadas em alguns momentos das minhas observações.

 

publicado por Tretoso_Mor às 18:26
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