Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

As TRETAS das brincadeiras dos miúdos.

No meu tempo, que não é assim tão longínquo como isso, as brincadeiras baseavam-se fundamentalmente em jogos de rua, utilizando o espaço e o nosso corpo, como instrumentos para a brincadeira, socorrendo-nos frequentemente de brinquedos artesanais, feitos por cada um de nós na maioria das vezes.

 

Recordo-me da apanhada, do jogo do salva, da cabra cega, do esconde-esconde, do jogo do alho, do futebol (muitas vezes com bolas de trapos), do rugby, neste caso para falar de alguns dos jogos simples e quase sem necessidade de brinquedos.

 

Claro que havia também o jogo do mocho, da malha, as rodas de motoreta conduzidas com um pau, ou as rodas mais pequenas, muitas vezes aros dos arados, conduzidos com um arame comprido com meia-volta na ponta inferior. Recordo-me ainda das tábuas ensebadas, dos carrinhos de rolamentos, das trotinetas de madeira (feitas também com rolamentos) e das bicicletas e das sempre problemáticas corridas e gincanas que fazíamos.

 

Havia ainda as fisgas, as afundas, as canas de pesca (canas dos canaviais com um fio e anzol na ponta), que nos permitiam introduzir as práticas da caça, da pesca e do tiro ao alvo.

 

Hoje em dia, claro que os miúdos não conhecem nada disto. São os jogos da Playstation , Xbox, computador, telemóvel, que os entretêm.

 

Resolvi estas férias desafiar o meu sobrinho, com 12 anos a fazer uns joguinhos na Playstation2 (PS2).

O futebol já eu tinha tentado em tempos, mas nunca me entendi com os botões. Quando dava por mim, estava a dar cacetada nos meus jogadores, ou a meter golos na própria baliza.

 

Resolvi desafiá-lo para umas corriditas de carros. Como ele ainda por cima tem um jogo novo pensei que, não conhecendo as pistas, lhe poderia levar alguma vantagem.

Qual quê!... Levei uma tareia, que quase dava para ele fazer duas corridas seguidas, enquanto eu fazia só uma!

 

Fui para casa e, na minha PS2; sim porque também comprei uma o ano passado, para tentar jogar uns jogos de estratégia. Claro que ainda não joguei, pois não tenho paciência para ler as instruções dos jogos; treinei um pouco num jogo antigo de corridas que o meu sobrinho tem. Aquilo não estava a resultar, até que descobri a forma de o vencer!... Yesssss!….

Há uma opção naqueles jogos, para conduzir o carro com mudanças manuais, em vez de o fazer com caixa automática. Treinei um pouco e no outro dia desafiei-o para nova corrida.

Ele preparou-se, mas informei-o que teria de correr com mudanças. Ele não gostou da ideia, embora eu lhe tivesse explicado com funcionavam as mudanças e o tivesse posto a correr numa pista para treinar.

 

Eheheh!...

Esfreguei as mãos de contente e começámos um campeonato!...

Bolas!.... Em cinco provas, só ganhei uma, a primeira!

 

O miúdo, com uma destreza de dedos impressionante, e uma coordenação motora notável, bateu-me como quis!

Mais, tínhamos de preparar o carro, de acordo com as características da pista. Os aspectos técnicos estavam em Inglês. O safado do rapaz, até a preparação do carro acertava!...

 

Acabei por ficar a pensar se esta nova modalidade de jogos é assim tão nociva quanto muitas vezes pensamos.

Claro que há jogos e jogos!...

Claro que há o tempo que os miúdos gastam agarrados à “máquina”.

Claro que há um isolamento natural das crianças, até porque estes jogos admitem um número muito restrito de participantes.

Claro que há a falta de contacto com a natureza.

 

Mas se soubermos ajudá-los a escolher os jogos, a gerir o tempo ligados ao jogo e a gerir participação de um grupo, até que nem são assim tão maus!

 

Bom, agora só me resta, pô-lo a jogar comigo um jogo de estratégia, e esperar pelo resultado final!..

 

Ai, ai!.... Nem quero pensar no que pode acontecer!

 

Só depois o vou desafiar para jogar alguns dos meus jogos tradicionais.

 

 

publicado por Tretoso_Mor às 09:40
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12 comentários:
De blue a 19 de Agosto de 2008 às 15:49
Mas afinal que idade tens?? Eu a pensar que eras um miudo loool Mas se te lembras das fisgas, dos carrinhos de rolamentos, etc, deves ser da minha geração, não?

Beijocas admiradas :)


De Tretoso_Mor a 19 de Agosto de 2008 às 17:24
Blue,

Lol, e eu não te vou perguntar a idade, mas se és da geração dos carrinhos de rolamentos, então és da minha geração.

Sou um jovem para os da minha idade e um cota para os da idade das minhas filhas.

Mas vou deixar-me de TRETAS e digo-te que já entrei nos "enta". Mais não digo porque os homens não devem dizer a idade!.. eheheh

Tretices de cota para ti.


De blue a 19 de Agosto de 2008 às 17:34
Eu ainda não entrei nos "enta", mas já entrei nos "inta" lol

Beijocas ;)


De Tretoso_Mor a 19 de Agosto de 2008 às 17:47
Estás a ver, já sou um cota!

Olha que os "enta", por enquanto, são a mesma TRETA que os "inta". O que os outros, mais velhos que eu dizem, os velhinhos, é que nos "enta" o tempo passa mais depressa.

ver vamos...

Tretices entradotas para ti.


De daplanicie a 20 de Agosto de 2008 às 11:09
Tocou num ponto fulcral sobre o qual também muitas vezes me questiono. Para além da parte do contacto com a natureza e com os amigos, que se perdeu muito, o que me preocupa é que são poucos os jovens que se limitam a jogar jogos de corridas e de futebol. O que me preocupa mesmo são aqueles jogos violentíssimos em que há sangue por todo o lado e é herói quem roubar mais carros com o maior números de vítimas possível...os polícias abatidos até dão pontos extra! Isto sim é que é terrível!


De Tretoso_Mor a 20 de Agosto de 2008 às 12:05
Sem dúvida que é necessário acompanhá-los na escolha dos jogos.

Também tenho conhecimento desses jogos violentos.

Pode ser que um dia, alguém se preocupe em sancionar a comercialização desse tipo de produtos. Sou a favor da liberdade, mas há limites!...

Tretices para si.


De Rafeiro Perfumado a 20 de Agosto de 2008 às 13:14
O pior, caro Tretas, é que se um miúdo de agora se vir perdido no meio do mato, vai andar à procura nas árvores duma entrada USB para poder descarregar o lanche.

Abraço!

PS: esqueceste-te dos jogos com berlindes e caricas!


De Tretoso_Mor a 20 de Agosto de 2008 às 13:41
Fénix!... pois esqueci!...

Imperdoável, até porque eu era campeão das caricas no meu bairro e arredores!...

Mas vou aproveitar para te contar que um puto de 2 anos não queria brincar com um carrinho que ainda tenho lá em casa, porque o carro não tinha pilhas!...

Um abraço


De rocket a 20 de Agosto de 2008 às 13:23
épá...não te escapou nenhuma! adorava brincar aos índios e cowboys... bons tempos em que malta andava por aí a descobrir o mundo em casa abandonadas, matas e obras... agora os putos trancam-se a sete chaves, neste mundo de perigos...



De Tretoso_Mor a 20 de Agosto de 2008 às 13:42
Rocket,

E o pior é que não querem sair de casa. Alguns miudos, filhos de amigos, nem querem despir o pijama, para os pais não os obrigarem a saír de casa.

Só visto!...

Um abraço


De Anónimo a 20 de Agosto de 2008 às 13:47
Os jogos tradicionais , jogo-os muitas vezes com os miúdos, mas o jogo do alho desconheço, a não ser que o conheça com outro nome.
Jogos ña playstation , nunca joguei. confesso.
Jogos didácticos no pc , faço-o muitas vezes e em termos de aprendizagem dão um resultadão .
Os miúdos têm um controle do rato , motricidade fina desenvolvida, que é qq coisa de bastante impressionante, para além de tudo o resto. Obrigada pela visita. :-))))))))))


De Tretoso_Mor a 20 de Agosto de 2008 às 14:21
Não sei quem me fala, mas se o(a) visitei, terá blog, certamente.

Quanto ao jogo do alho, designação no Alentejo, é jogado com duas equipas de 4 ou 5 elementos cada uma e mais um elelmento, que fazia a cabeceira e de árbitro a quem se chamava a mãe.
depois uma das equipas amochva, ou seja, colocavam-se em fila indiana, dobravam-se pela cintura e agarravam-se à cintura do elemento da frente, formando como que uma ponte.
Depois de todos perfilados em fila e direitos, a mãe pmandava saltar os outros que tinham de ficar sentados nas costas dos adversários.

depois de todos empoleirados, contava-se até dez, podendo nessa altura os elementos amochados mexer-se para os lados. Se quem estava encavalitado caísse, perdia. Se conseguissem manter-se encavalitados, ganhavam.
Espero que tenha percebido a explicação.

Agradeço também a visita.


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